Assumir o erro sempre foi uma tarefa difícil na história humana. Parece até que queremos fugir da imperfeição, atributo inerente à nossa natureza. O problema não é de hoje, mas vem de tempos remotos. A Bíblia diz que já no início da criação, o homem quis se isentar da culpa. O diálogo entre Deus, Adão, Eva e a serpente ilustra muito bem essa ideia. Um foi passando a culpa para o outro. Adão disse que comeu do fruto proibido porque a sua companheira lhe deu; Eva, por sua vez, disse que a culpa foi da serpente e esta, possivelmente por não ter em quem colocar a culpa, deixou por isso mesmo. Leia o relato e entenda melhor (Gn 3,12 ). Claro que por trás disso há todo um significado para dizer que o mal nos envolve e que, portanto, devemos ser fortes no seu combate. Porém, sem jamais fugir de nossa responsabilidade.
Se no início da criação era assim, hoje não é diferente. Parece que vivemos numa sociedade composta apenas de crianças, cuja consciência ainda está em formação e, ao fazer algo de errado, cada um fica atribuindo sua própria culpa ao irmão ou ao amigo para se livrar do castigo dos pais. Nunca somos culpados, é sempre o outro.
A violência na cidade, no Brasil e no mundo todo é absurda. Não temos segurança nenhuma. E cada um fica apontando os culpados para este mal. Em meio a tantos disparos feitos sem qualquer direção, a Igreja também é atingida e acusada de colaborar com a desordem da sociedade. Não é difícil encontrar pessoas, intelectuais e governantes dizerem que a Igreja atrapalha o processo de paz quando ela é contra: as pesquisas com células-tronco embrionárias, a distribuição de preservativos e outros métodos que impedem a geração de uma vida, ao aborto etc... Os poderes não chegam a um consenso, o pretexto é que a violência tende sempre a crescer porque não há um controle de natalidade e o certo na visão de muitos é que se proíba isto com os métodos artificiais já citados. Não há quem assuma a culpa por não instaurar um sistema melhor de segurança que envolve melhores salários, mais empregos, mais educação, melhores condições para todos. É mais cômodo atribuir a culpa a alguém. A Igreja está no meio da sociedade como defensora da vida em todas as circunstâncias, cumprindo uma exigência do Evangelho que pede vida em abundância para todos.
É preciso enxergar as duas faces de uma mesma moeda como responsáveis por esta situação caótica. A modernidade é fator determinante para nossa sociedade, que cada vez mais utiliza a tecnologia. Isso por um lado é bom, mas por outro não. Parece que nós não estávamos preparados para tempos tão modernos. Os valores antigos da família, da religião e da sociedade, deram espaços aos novos e nada foi mantido quando o certo era manter alguma coisa. Isso tem causado muita confusão nas famílias. Os pais de hoje têm muito mais dificuldade para educar seus filhos do que os de ontem. E de quem é a culpa? Quem incutiu essa consciência? De onde vem a ideia de religião de mercado e consumo?
Meus caros irmãos, estamos iniciando um novo ano. É momento oportuno para rever nossa caminhada. Quem sabe este é o ano para você se voltar para Deus no sentido de fortalecer sua fé. Organize sua vida espiritual, atenda aos pedidos da Igreja, procure ajuda, dê um bom testemunho de fé. Assumir compromissos faz parte da nossa maturidade humana.
Deus derrame muitas bênçãos para você e sua família em 2010.
Padre Toninho