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A nossa equipe foi conversar com Abigair da Silva Piovesana, primeira catequista da comunidade, que relatou fatos importantes sobre o início da paróquia. Contamos, também, com a colaboração de seu marido, Geraldo Piovesana, um dos primeiros coroinhas, que também relembrou histórias bastante interessantes. Abigair conta que, por volta de 1957, D. Benedita, moradora do Jardim São Paulo, recebeu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, trazida por alguns homens que disseram que precisavam arrecadar dinheiro para Tambaú, onde havia o Padre Donizete, famoso à época pela fama de ser milagroso. “Mas era malandragem daqueles homens... e eles fugiram. |
Mas D. Benedita era muito devota e, como estava com a imagem, teve a ideia de construir uma capelinha no bairro. E D. Olga, moradora que tinha uma garagem grande na Av. Leôncio de Magalhães, cedeu o espaço e lá foi erguida a capelinha”.
Assim, começaram a ser celebradas missas no local. “Às vezes vinha padre da Salete, às vezes não”, diz Abigair. “Na esquina do lava-rápido com a Paulo Facchini havia um terreno baldio. E nesse terreno foram realizadas algumas quermesses, mas o bairro ainda estava muito no começo”. Com o dinheiro arrecadado nessas quermesses e em várias campanhas, como a Ação Espiritual, campanha dos tijolinhos, flâmulas, rifas, chás e bingos, foi comprado o terreno definitivo. “E assim fomos fazendo a igreja, que hoje está linda e maravilhosa”.
Sobre o início da catequese na comunidade: “A capela era pequena, não comportava muita gente. Mas havia três crianças que a mãe queria que fizessem primeira eucaristia. Para levar a outras igrejas era longe”. Então, Abigair decidiu preparar as três crianças na própria capelinha, antes da missa. “E eu comecei dando catequese para elas... duas meninas e um menino. Ele, eu me lembro o nome: Jaime M. Passeri”. E essa turma de crianças recebeu a primeira eucaristia em 29 de maio de 1960. “Depois não dei mais catequese, pois não havia mais crianças. Quando havia a igreja, e já com o Padre Renato, a Vilma, filha da dona Mábile, deu continuidade à catequese. E depois entrou a Dona Zilda, que inclusive deu catequese para minhas filhas”.
Sobre o Padre Renato, ela se recorda, saudosa: “Ele deixou muitas saudades... Era da família”. Geraldo enfatiza: “Natal, Ano Novo... Ele sempre estava em casa. Em 1966 nós ganhamos um Círio Pascal (VALQUÍRIA, SE HOUVER ESPAÇO, INCLUA A FOTO DO CÍRIO QUE ESTOU ENVIANDO) dele. Todo ano ele dava um para cada casal. E quem ganhava contribuía para comprar um novo”.
Questionada sobre as dificuldades encontradas no início das atividades na comunidade, Abigair ressalta: “Construir a igreja não foi nada fácil”. Geraldo completa: “A família Noronha, que era dona do Colégio Prudente de Moraes, ajudou muito. Compraram o terreno, fizeram a planta e deram assistência total no levantamento da igreja”.
Abigair faz, ainda, uma revelação surpreendente: “A D. Benedita passou um livro pedindo contribuição para as pessoas do bairro. No terreno onde hoje há um centro empresarial ao lado do Metrô, morava um casal rico, eram donos de loja de autopeças. Ela disse que iria lá, mas ninguém acreditava... Entretanto, após uma boa conversa, o homem assinou no livro. Logo que construíram a igreja, fizeram uma caixa de concreto e puseram diversas coisas lá, do início da paróquia. Pode ser que esse livro esteja lá... não sei se é debaixo do altar ou no corredor da igreja. Tinha nessa caixa o nome das pessoas que compraram a ação de graças, diversos colaboradores, como meu pai”. Segundo Abigair, provavelmente a primeira missa de sétimo dia na capelinha foi a de seu pai, Antonio Cardoso da Silva, em 1960.
Não poderíamos deixar de falar sobre a mãe de Abigair, Don’ Ana, fundadora do Centro Comunitário: “O centro social começou na Rua Feliciano Bicudo, que era o fim do mundo. Tinha a nossa casa e mais três. Havia uma família que não tinha nada para o Natal. Minha mãe arrecadou alimentos para uma cesta básica e entregamos àquela família. A mulher chorou de tão contente”. Depois disso, Don’Ana teve a ideia de fazer aquilo todo mês. “O pessoal, sabendo disso, levava os mantimentos para a casa da minha irmã. Nisso, eu me mudei para a Rua Horácio Scrosoppi, onde havia uma garagem grande. Eu falei para minha mãe guardar tudo lá”. E completa: “Quem ajudava também era a Dona Mafalda, a Dona Maria, a Vilma. O centro social ficou muito tempo ali”. E o que vem depois é história, como já vimos na entrevista feita com Irma, atual presidente do Centro Comunitário, publicada em setembro de 2009.
E finalizaremos esse texto com o bonito testemunho que Abigair fez questão de compartilhar, logo no início de nossa conversa. Ela alcançou uma grande graça de Deus, com a intercessão de São Peregrino Laziosi, ao ficar curada de um linfoma, sem ao menos precisar passar por cirurgia.
Entrevista conduzida em 13/09/2009 por Daniel de Paiva Cazzoli.